segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cenas da estrada – Road to Uluru, Northern territory, Australia


 Por: Jo@net

“Há algo de curioso em correr e escrever. Kenny Moore, provavelmente o melhor escritor sobre corrida que existe, disse certa vez que simplesmente se tem de escrever sobre correr longas distâncias, porque às vezes dói intensamente e é uma experiência profunda, tanto física como psicologicamente. Ou talvez... e isso é uma ideia minha, não de Kenny... as pessoas escrevam para dar sentido a algo que não pode ter muito sentido. Talvez seja por isso que a maioria dos corredores mantém uma espécie de registro; estão procurando apegar-se a tudo. As pessoas começam a correr simplesmente. Depois, cedo ou tarde, passam a analisar o que estão fazendo.” Joe Henderson*

* Depoimento no livro Guia completo de corrida, de James F. Fixx

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Diário da estrada – 1º, 5, 9, 11 e 15 de fevereiro de 2013

Sexta-feira, 1º de fevereiro de 2013 – Fim de tarde, saí para a primeira corrida do mês. Subi até o bairro vizinho, e então fui até a praia. Ali soprava uma ventania fresca, e ainda mais agradável porque o sol ainda estava esquentando. Olhei o mar por alguns minutos – um sujeito surfava agarrado a uma espécie de paraquedas, deixando-se levar por cima das ondas, chegando a saltar bem alto em certo momento. (Acabei de pesquisar no Google, descobri que esse esporte se chama kitesurf.) Então voltei, debaixo do sol que ia ficando mais ameno. Ao chegar no meu bairro, perguntei as horas a uma pessoa, já calculei o tempo de duração da corrida (descontando os minutos em que parei na praia), deixei-me secar ao ar livre por um tempinho, daí entrei no supermercado.

Tempo de hoje: 1h.

Terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 – Havia caído um tanto de água cerca de uma hora antes de eu sair. E ainda caía uma chuvinha leve. Confesso que não me senti muito confortável com isso, principalmente porque o ar estava meio frio. Resolvi fazer meu trajeto mais simples, e fui seguindo até chegar num supermercado, onde parei para uma pequena compra. Na volta, acabei esticando um pouco, pois comecei a descer pela autoestrada. (Naquele momento, já havia parado de chover.) Logo em seguida, voltei.

É bom, de tempos em tempos, fazer uma corrida na chuva. Apenas hoje não me senti tão disposto. Será que foi porque, em ocasiões anteriores, eu estava sempre usando meu boné, e desta vez fui molhando a cabeça? (Não quero mais correr com boné, pois o couro cabeludo fica abafado e isso acaba por causar queda de cabelo – evitei esse problema até hoje, então por que arriscar?) Tempos atrás, com esse tipo de clima, eu saía vestindo duas camisas, o que teria sido uma boa pedida hoje também. Enfim!

Tempo de hoje: 45min.

Sábado, 9 de fevereiro de 2013 – Ontem, bem na hora em que eu ia sair, começou a cair água. De novo (porque choveu quase o dia todo). Hoje planejei correr no meio da tarde, mas acabei saindo pouco depois das seis – acabei passando a tarde absorvido no TCC da faculdade de pedagogia. Estava há horas sem comer, aí mastiguei dois pedaços de pão, um cheio de tahine e outro coberto com melado, e fui-me.

Talvez por não ter feito um lanche mais cedo, talvez por ter passado algumas horas escrevendo, senti certa falta de energia. Ainda assim, os passos estavam macios e logo firmei um ritmo moderado. Fiz o trajeto “basicão”, até o bairro vizinho. Na volta, fiquei mais disposto, aí aumentei um pouco o percurso e também o ritmo.

Ah, o tempo estava nublado, sem chuva nem frio.

Tempo de hoje: 55min.

Segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 – Saí mais tarde do que pretendia. Descendo por uma rua perto de casa, vi o céu logo acima das montanhas próximas, encoberto por uma camada de nuvens azuladas, cujo tom lembrava um pouco o de uma aquarela. De repente, no meio delas, surgiu o brilho de um relâmpago, e depois novamente. Em vez de continuar descendo por mais algumas centenas de metros, fiz a volta entrando por uma viela e peguei o caminho que sobe até o bairro vizinho. O problema é que, ao chegar na longa rua que conduz até lá, já havia anoitecido, e isso me tirou o ânimo de continuar. Há ocasiões em que estou disposto a correr no escuro, mas hoje não foi uma delas. Fiz meia-volta e, seguindo na direção de minha casa, fui observando o horizonte, que agora acendia com frequência, iluminado por uma sucessão de relâmpagos (nenhum estava caindo – apenas uma vez um raio se estendeu entre as nuvens –, mas mesmo assim é desagradável correr com esse tipo de coisa por perto). Curiosamente, quando eu já me aproximava de casa, as nuvens acima das montanhas se aquietaram. Foi só aquilo mesmo.

Tempo de hoje: 35min.

Sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013 – Saí no começo da manhã. Fiz uma descida até a praia que fica aqui perto, depois voltei, subindo uma longa rua, em seguida outra, até completar o meu trajeto básico. No início o céu ainda estava bem escuro, mas quando cheguei em casa já havia clareado.

Tempo de hoje: 49min.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cenas da estrada – Old rag mountain, Virginia, Estados Unidos


Por: geodesic

“Correr é uma coisa infantil e primitiva. Mas acho que é justamente nisso que está sua atração. Estamos novamente agindo como crianças. Conseguimos livrar-nos de todos os grilhões da civilização. Enquanto se corre, volta-se atrás na História.” *

* Joe Henderson, fundador da revista Runner’s world, no livro Guia completo de corrida, de James F. Fixx

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Diário da estrada – 17, 20, 22, 26 e 29 de janeiro de 2013


Quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 – Uma das saídas mais tardias. Eram nove da noite. Fiz uma ida e volta não muito extensa. Estava com um bom pique, acelerando mesmo.

Tempo de hoje: 40min.

Domingo, 20 de janeiro de 2013 – Saí no meio da tarde. Bastante sol, o que dificultou um tanto, mas o céu estava meio nublado e isso ajudou em alguns trechos.

Tempo de hoje: 41min.

Terça-feira, 22 de janeiro de 2013 – Uma ida até a locadora para devolver um filme. Na volta, encurtei um pouco o caminho. Saí um pouco mais tarde do que queria, e quando terminei já estava ficando escuro.

Tempo de hoje: 27min.

Sábado, 26 de janeiro de 2013 – Saí no final da tarde, corri um tempo com claridade, mas os trechos finais já no escuro. Outra vez, aproveitei para devolver um filme. Fiz meu trajeto básico, com uma breve parada naquela praia mais perto de casa. Eu havia lanchado há pouco tempo, então mantive um ritmo bem moderado. Senti certo peso no estômago o tempo todo, mas felizmente foi só isso.

Tempo de hoje: 47min.

Terça-feira, 29 de janeiro de 2013 – Mais uma corrida no fim da tarde. Fui subindo em direção ao bairro vizinho. Em certa altura, peguei uma rua à direita, esperando continuar por aquele caminho alternativo que descobri semanas atrás. Mas acho que foi a rua errada; segui até o final, fiz uma curva, daí voltei por outra rua e terminei pouco além de onde havia entrado. Subi mais um tanto, até que cansei e resolvi voltar.

A volta foi mais longa. Animei-me mais, fui até a altura da praia, depois acompanhei a estrada, avançando até o supermercado. Comprei um pacote de wafer e vim mastigando até chegar em casa.

Acabou sendo a corrida mais longa desta segunda metade do mês. Apesar da esticada da volta, senti-me o tempo todo meio desenergizado. Mas esta corrida foi uma ótima maneira de encerrar a tarde.

Tempo de hoje: 1h 5min.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cenas da estrada – Shandon, Califórnia, Estados Unidos


Por: Hey Paul

“Para mim, correr não é algo fatigante ou enfadonho, mas uma alegria que não me exige qualquer esforço. Fort Defiance fica na reserva dos índios navajos, a mais de dois mil metros de altura. Estamos num canyon cercado por montanhas, árvores e arbustos. Correr quando está nevando é emocionante. Há muitos lugares por onde se correr aqui, o ar é puro, não existe tráfego. Ninguém pode sentir-se entediado ao correr num lugar assim. Prefiro correr enquanto o sol ainda começa a surgir. A esta altura, já está bastante claro, vai-se ficando aquecido, o corpo inteiro se sente bem. É simplesmente maravilhoso!” Janis Taketa*

* Depoimento no livro Guia completo de corrida, de James F. Fixx

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Diário da estrada – 1°, 5, 10 e 15 de janeiro de 2013

Quarta-feira, 1° de janeiro de 2013 – Céu cinzento, tempo chuvoso, e uma corrida até o bairro vizinho.

Tempo de hoje: 41min.

Sábado, 5 de janeiro de 2013 – Hoje acordei bem cedo. Pouco antes de clarear, caiu uma chuva rápida, e logo em seguida saí para correr. Naquela hora, o ar estava repleto de uma claridade amena, o asfalto úmido tinha um perfume muito agradável, e tudo isso tornou a corrida mais especial. Primeiro subi por uma longa rua, e ao retornar avancei algumas centenas de metros em direção ao sul da ilha. Cheguei até o começo da praia que leva o nome do bairro vizinho (é possível avistá-lo ao longe, e uma vez segui pela estrada até lá). Havia só uma ou duas pessoas naquela hora.

Assim que cheguei em casa, começou a cair uma garoa.

Tempo de hoje: 50min

Quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 – Cedo, quando o sol acabava de aparecer e tingia tudo com uma claridade levemente dourada, avancei algumas centenas de metros em direção ao sul da ilha, até subir a ladeira que conduz à Casa de Retiros. Voltando, percorri umas poucas ruas até chegar em casa.

Tempo de hoje: 50min.

Terça-feira, 15 de janeiro de 2013 – Saí quando apenas começava a clarear. Eu havia acordado bem cedo e feito uma boa refeição – por isso, tive que seguir num ritmo moderado. O céu estava encoberto, o ar bastante fresco, e isso deixou o treino mais agradável. Primeiro fiz minha ida e volta básica, depois acrescentei algumas centenas de metros seguindo pela estrada que vai para o sul da ilha. Cheguei no começo da ladeira que vai para a Casa de Retiro, e dali voltei.

Tempo de hoje: 1h 1min.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Cenas da estrada – Wingaersheek beach, Massachusetts, Estados Unidos


Por: Muffet

"Ainda posso recordar nitidamente a ocasião em que, menino ainda, corri descalço pela areia úmida e firme à beira do mar. O ar ali possuía uma qualidade especial, como que dotado de vida própria. O barulho das ondas quebrando na praia abafava todos os demais. Fiquei espantado, quase assustado, pelo tremendo excitamento que uns poucos passos podiam criar. Foi um momento intenso de descoberta de uma fonte de energia e beleza que jamais sonhara anteriormente que pudesse existir... O senso do exercício é um senso extra ou talvez uma combinação sutil de todos os outros." *

* Roger Bannister, primeiro homem a correr a milha em menos de quatro minutos, no livro Guia completo de corrida, de James F. Fixx